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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O VAZIO






O VAZIO

Os meus sonhos são tão vazios
que cavalgo um vôo incorpóreo
para rogar a clemência das noites.

Entretanto chega a madrugada
sem ter alguém à minha espera.

Até a lua se ofusca para me arrastar
para um cenário de treva
mais longínquo do que a morte.

Cai gota a gota, uma chuva
que me desnuda a paixão com ais;
e o medo da inexistência perdura.

Tão tensa é a vertigem, que roço com os lábios
a beleza que se perde
na réplica da impalpável luz.








Fernando Sabido- Espanha


Tradução ao português: Fernando Oliveira


*****



EL VACÍO

En mis sueños siempre habita el vacío
que recorro en un vuelo ingrávido
por el olor a misericordia de las noches
Llego hasta el alba
y no tengo a nadie que me espere
hasta la luna se oculta para repudiarme
en un paisaje de sombras
más allá de la muerte.

Cae gota a gota una lluvia
que desnuda con lamentos mi alma
y sobrevive el miedo a la inexistencia
Se tensa el vértigo y rozo con los labios
la belleza al perderse
en la luz impalpable de la negación.


Fernando Sabido- España