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quinta-feira, 1 de março de 2012

ESTE POEMA

ESTE POEMA

Na gare mais tristonha, um pensamento,
quase um sopro,
um murmúrio de trens que doem
com frio de cordões desamarrados.

(Escrevo com assombro letra e sulco,
sulco e sangue,
palavra, inverno e chicote,
e sigo sem saber o que é poesia).

Nesta gare sem nome, como uma pressa rota,
te espero e já te foste,
no entanto
adopto uma ternura de guarda-chuva
para chorar o nada
..................e todos seus parênteses.

Na gare mais tristonha
concluo este poema que avança
solidões.


Paloma Corrales- Espanha
Tradução ao português: Tania Alegria


*****

ESTE POEMA

En el andén más triste, un pensamiento,
casi un soplo,
un murmullo de trenes que se duelen
con frío de cordones desatados.

(Escribo con asombro letra y cauce,
cauce y sangre,
palabra, invierno y látigo,
y sigo sin saber qué es poesía).

En el andén sin nombre, como una prisa rota,
te espero y ya te has ido,
sin embargo
adopto una ternura de paraguas
para llorar la nada
......................y todos sus paréntesis.

En el andén más triste
concluyo este poema que avanza soledades.


Paloma Corrales- España

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

CHEGAS




CHEGAS

Chegas com tua avultada carga de fantasmas e tua culpa de sal.
Chegas. E talvez seja teu último destino
porque já não recordas como se escreve o vento.

Vens, misturado de vermelha tristeza
e teimoso de mudanças.
Vens completamente só e, no entanto,
tu proclamas minha nuca o melhor dos templos.

Atravessas o umbral do imperceptível
e te obstinas nos meus olhos,
não para olhar mas para ser-me trigo
mostrando-me a fragilidade de um ontem sem o seu centro.

E eu emerjo. E tu chegas. E vens. E atravessas,
como uma paisagem erguida e o seu retorno.


Paloma Corrales- Espanha

Tradução ao português: Tania Alegria





*****

LLEGAS


Llegas con tu abultada carga de fantasmas y tu culpa de sal.
Llegas. Y quizás sea tu último destino
porque ya no recuerdas cómo se escribe el viento.

Vienes, entreverado de roja tristeza
y terco de mudanzas.
Vienes completamente solo y, sin embargo,
tú proclamas mi nuca el mejor de los templos.

Atraviesas el umbral de lo imperceptible
y te obstinas en mi ojos,
no para mirar sino para serme trigo
mostrándome lo frágil de un ayer sin su centro.

Y yo emerjo. Y tú llegas. Y vienes. Y atraviesas,
como un paisaje erguido y su retorno.


Paloma Corrales- España

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A IMPERFEIÇÃO DAS FLORES




A IMPERFEIÇÃO DAS FLORES

e de pronto
aprendi que tudo se repete
entre sombras de ruas imprecisas;
o inútil da culpa,
as vias da linguagem,
...........................os peixes em novembro.


Paloma Corrales- Espanha
Traduçao ao português: Ana Muela Sopeña


*****

LA IMPERFECCIÓN DE LAS FLORES

y de pronto
he aprendido que todo se repite
entre sombras de calles imprecisas;
lo inútil de la culpa,
los cauces del lenguaje,
...................................los peces en noviembre.





Paloma Corrales- España